John Wesley respondendo à pergunta de como ele atraía as multidões: "Eu me coloco em chamas, e o povo vem para me ver queimar!"

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Por que glorificar a Deus?

Estamos no 4º Domingo de Advento: tempo que Deus nos dispõe para nos prepararmos para a vinda do Deus menino; tempo de relembrarmos a ação graciosa de Deus em nossas vidas; tempo de espera, alegria e disposição para percebermos e colocarmos sinais do Deus presente entre nós.

Temos ainda uma semana para o dia de Natal. Imagino que nestes dias temos muitos afazeres: é tempo de limpar nossa casa e deixá-la bonita para o dia de Natal; é tempo de ensaio dos teatros de Natal e de encerramento dos trabalhos de grupos nas comunidades; é tempo de confraternização com amigos e colegas de escola e trabalho; é tempo de 13º salário; é tempo...
Em meio a este tempo nos reunimos como Comunidade do Deus encarnado para ouvirmos sua palavra e fortalecermos a fé. E a Palavra de Deus, conforme o apóstolo Paulo, nos convida para glorificarmos a Deus: “Louvemos a Deus!” (v. 26a), “ao Deus único e sábio seja dada glória...” (v. 27). Podemos perguntar: Por que glorificar a Deus?

Conforme o dicionário Aurélio, glorificar significa dar glória a; honrar, exaltar, engrandecer. Diariamente glorificamos coisas e pessoas. Somos domados de tal forma pela sociedade que glorificamos, exaltamos e honramos as mais diversas coisas sem questionar, sem nos perguntar o porquê? Corremos de um lado para o outro, trabalhamos, talvez, como nunca se trabalhou na história da humanidade. Nesse trabalhar nos cansamos, nos estressamos, adoecemos. Passamos a ver o trabalho como algo penoso e desagradável. Nos tornamos ásperos e secos com colegas de trabalho. Chegamos em casa irritados e sem paciência, o que impossibilita um momento de diálogo e comunhão familiar. Cansados deitamos no sofá da sala ou na cama, onde o nosso ego é alimentado por programas televisivos que incentivam o consumo. Assim, é posto diante de nós o último lançamento de celular, o novo modelo de carro ou moto, brinquedos e mais brinquedos que fascinam nossos filhos, câmeras digitais, roupas e tantas outras coisas. E tudo isso com “preços promocionais” para animar e alegrar o nosso Natal!

No meu cansaço sou tomado pela vontade de comprar e ter estes produtos para melhorar a minha vida. Penso, então, no meu salário e percebo que preciso trabalhar mais, preciso fazer um sacrifício a mais, horas extras, vender as férias – o meu direito de descanso... Quem sabe, assim, poderei ter para comprar e me alegrar.
E assim, sonhando, correndo, trabalhando e consumindo vai passando o tempo que Deus me dá de graça. E neste viver não tenho tempo para meus filhos, minha esposa ou meu marido, nem para meus amigos e vizinhos, e por vezes, não sobra tempo para a Comunidade!

O que mesmo a Palavra de Deus, através do apóstolo Paulo, nos convida? Glorificar a Deus! Mas porquê? O Evangelho nos deixa a resposta, qual seja: Deus se faz presente na história de uma pobre e humilde moça, que traz no seu ventre o menino Jesus, o messias anunciado e esperado para a salvação das pessoas.
A história do texto se passa numa vila da Galiléia, chamada Nazaré. Galiléia era considerada pelos judeus um lugar muito longe e estranho, influenciado por costumes e tradições de povos pagãos. Por isso os mestres judeus diziam: “Da Galiléia não pode vir nada de bom!” Além disso, Nazaré era uma vila pobre, desconhecida, onde nunca nenhum profeta de Deus havia estado.

No centro desta história está Maria, uma jovem que tem casamento contratado com José. Um anjo aparece a Maria e lhe apresenta uma proposta de Deus: aceitar ser a mãe de um filho especial, o messias enviado por Deus para salvar o seu povo, para lhe oferecer vida e salvação.

A história de Maria de Nazaré, bem como a de tantas outras pessoas que foram chamadas por Deus, nos deixa claro que é através de homens e mulheres que Deus realizou e continua realizando o seu projeto de salvação para as pessoas. Já pensamos que é através de nossos gestos de amor, de partilha e de serviço que Deus se torna presente no mundo e transforma o mundo?
Neste domingo que antecede o Natal, a história de Maria mostra como é possível fazer Jesus nascer no mundo: através de um “SIM” incondicional aos projetos de Deus. É preciso que através de nossos “sins”, da nossa disponibilidade e entrega, Jesus possa vir ao mundo e oferecer às pessoas – de maneira especial aos pobres, humildes, infelizes, desesperançados – a salvação e a vida de Deus.
Será que o motivo da nossa correria e cansaço não é justamente porque não correspondemos ao projeto de vida que Deus tem nos preparado?

Precisamos sempre de novo nos dar conta dos instrumentos que Deus usa para realizar seus planos: Maria era uma jovem mulher de uma pequenina aldeia cheia de pessoas pagãs de onde “não podia vir nada de bom”. O texto nada fala que Maria teve uma preparação especial, que ela tinha conhecimentos teológicos, ou amigos poderosos nos círculos do poder. Apesar disso foi escolhida por Deus para desempenhar um papel importantíssimo na história de salvação de Deus com o seu povo. Isso nos deixa claro que, para Deus, não é o poder, a riqueza, a importância social que determina se sou ou não capaz de participar no projeto de Deus. Deus age através de homens e mulheres, independente de suas qualidades humanas. O que é decisivo é a disponibilidade e o amor com que se acolhem as propostas de Deus. Com certeza Maria tinha o seu programa de vida e os seus projetos pessoais – casamento estava encaminhado. Porém, diante do convite de Deus, esses projetos pessoais passaram naturalmente e sem dramas a um plano secundário!

Na atitude de Maria não há qualquer sinal de egoísmo, de comodismo, de orgulho, mas há uma entrega total nas mãos de Deus. O jeito de Maria é um jeito que nos questiona: no meio da agitação de todos os dias, encontro tempo e disponibilidade para ouvir Deus, para tentar perceber os seus sinais que demonstram a sua presença no meu dia-a-dia?

Somos, então, convidados a glorificar Deus porque ele ama as pessoas e tem um projeto de vida para oferecer. Um projeto no qual as pessoas mais humildes são convidadas especiais; um projeto cheio de amor que se concretiza porque uma jovem mulher teve a coragem de dizer: “Eu sou uma serva de Deus; que aconteça comigo o que o Senhor acabou de dizer” (v.38).
Glorifiquemos o Deus que se tornou gente. E, para que seja verdadeiramente Natal na nossa terra, usemos este tempo para percebermos e colocarmos sinais do Deus presente entre nós. Sejamos discípulos de Jesus. Amém.

Por Décio Weber
decioweber@teiasat.com.br

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